As propostas terão de atender aos seguintes eixos temáticos: mulheres negras rurais e urbanas – empoderamento social, cultural e educacional; mulheres negras rurais – empoderamento e empreendedorismo; mulheres negras urbanas – empoderamento e empreendedorismo.
O edital é fruto do protocolo de intenções assinado pelo BB e pelo Ministério da Paridade Racial em julho deste ano, para ampliar ações afirmativas de raça e gênero. “O objetivo desta seleção pública é ampliar a capacidade produtiva e criativa de mulheres negras empreendedoras, dentro de um propósito maior de redução de desigualdades sociais, combate ao racismo e promoção da paridade racial”, diz em nota a presidente do banco, Tarciana Medeiros.
Os termos de seleção passaram por uma oficina de consulta participativa, em outubro, com representantes da sociedade social, de movimentos sociais e de grupos e coletivos. Houve a participação ainda de representantes do governo federalista e de funcionárias do grupo de variação do banco.
“O lançamento do edital é uma ação promovida pela Instalação BB em esteio à variação e à inclusão racial, voltada principalmente a pessoas que integram público priorizado pela instituição formado, entre outros, por mulheres e jovens de comunidades tradicionais, catadoras, ribeirinhas, quebradeiras de coco babaçu, agricultoras familiares, integrantes de coletivos urbanos”, afirma o presidente da Instalação BB, Kleytton Morais.
A Instalação retomou ainda o projeto que utiliza o legado da escritora e ativista Lélia Gonzalez, morta em 1994. O objetivo é incentivar a reflexão e a conscientização sobre a estrutura e o funcionamento do racismo e do sexismo na sociedade, de conformidade com o BB.
O Projeto Memória foi criado pela Instalação BB para preservar a vida, o pensamento e a obra de importantes personagens brasileiros. Além de Gonzalez, que foi a homenageada da última edição, realizada em 2015, também já foram retomadas as obras de personalidades negras uma vez que João Cândido, Marechal Rondon e Josué de Castro.
Na retomada, o projeto tentará fomentar a sátira e o combate a atitudes racistas a partir da identificação e do reconhecimento destas atitudes no cotidiano. A teoria é produzir livros e audiolivros, além de um site do projeto para estribar atividades em escolas de capitais uma vez que Brasília, Salvador, São Luís, Porto Feliz, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Belém.
Serão destinados R$ 3,5 milhões pela Instalação para a iniciativa. “Lélia é e continuará sendo o grande exemplo que inspira o labor desta geração de guerreiras, que marca e demarca a trajetória da luta contra o racismo e o sexismo no Brasil. Ao legado de Lélia Gonzalez, o movimento preto e o Brasil devem muito”, diz Morais.
A presidente do BB afirma que o resgate é segmento do compromisso do banco com a culpa. “Ao promover a releitura do Projeto Memória de Lélia Gonzalez, a Instalação BB contribui para o compromisso do Banco do Brasil de reconhecimento e valorização da variação étnico-racial brasileira, por meio de práticas pedagógicas inclusivas”, diz Medeiros.