Março 28, 2025
jogo da Eurocopa faz reencontro de nações que já formaram uma só seleção

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Sérvios e eslovenos, junto de outros cinco países, são as equipes sucessoras da Iugoslávia, mas exclusivamente uma tem tal reconhecimento pela Fifa

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20 de junho
2024
– 08h08

(atualizado às 08h08)

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Começando entre Eslovênia e Sérvia nesta quinta-feira, 20, às 10h (horário de Brasília), pela segunda rodada da Euro 2024 tem um pretérito geopolítico. As duas nações faziam segmento da Iugoslávia e tiveram conflitos em seguida ações de movimentos separatistas, na dez de 1990. A Eslovênia foi, junto da Croácia, o primeiro a declarar-se independente, em 1991, mas sofreu menos que os vizinhos no processo de rescisão.

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No futebol, a Fifa reconhece a Sérvia uma vez que sucessora solene da seleção iugoslava. Entre as campanhas de destaque da Iugoslávia, estão o terceiro lugar no Mundial de 1930 e o quarto em 1962; os vice-campeonatos da Eurocopa em 1960 e 1968 e cinco pódios olímpicos, sendo um ouro, em 1960. O idoso país sediou o torneio europeu de seleções em 1976.

Desde a rescisão do idoso Estado, nasceram as seleções sérvia, eslovena, bósnia, croata, montenegrina, kosovar e da Macedônia do Setentrião. Os jogos de maior tensão envolvem a Sérvia contra Croácia, Bósnia ou Kosovo, justamente pelos conflitos geopolíticos. Nas últimas duas Copas do Mundo (2018 e 2022), o meia Shaqiri chamou atenção por fazer provocações a jogadores e torcedores sérvios. Ele joga pela Suíça, mas nasceu em uma região que hoje é faz segmento do Kosovo.

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Em 1918, em seguida a Primeira Guerra Mundial, a Iugoslávia foi formada pela união de territórios sérvios, croatas e eslovenos. Os primeiros tinham a centralidade na governança, enquanto os últimos mantinham-se mais afastados. Na Segunda Guerra, pressionada pelas nações europeias do Eixo (Alemanha e Itália), a Iugoslávia, tal qual rei era sérvio, cedeu em ser um Estado satélite da Alemanha. Grupos de nacionalistas de origem sérvia, porém, organizaram revoltas, derrotadas pelos alemães. No lugar da reino, foi estabelecido um governo desempenado com o totalitarismo e de origem croata.

“A Croácia logo se tornou o núcleo desse Estado e começou a perseguir sérvios. Criam-se campos de concentração e extermínio, sob justificativas de que os sérvios não eram dignos de liderança, que eles invadiram as terras croatas, mas também com poderoso vínculo religioso”, conta o professor de História Contemporânea, da Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ) Vinícius Liebel, em referência a religião preponderante na segmento croata ser o catolicismo, enquanto a maioria na Sérvia são cristãos ortodoxos. Há, na região, ainda, poderoso presença muçulmana, uma legado da influência do Predomínio Turco-Turco.

Grupos de resistência croatas assumem o poder no pós-Guerra, ainda uma vez que Iugoslávia, mas em alinhamento com o conjunto socialista da União Soviética. “Se tenta produzir uma memória, para edificar uma identidade da Iugoslávia, mas não se consegue, porque os regionalismos são muito fortes”, explica o professor.

As décadas de 1970 e 1980 marcaram uma escalada das tensões entre os nacionalismos em uma mesma país. Tensões econômicas também fortaleciam movimentos que buscavam autonomia em relação à Iugoslávia. “Esse processo (de separação) é bastante repressor na Croácia e na Bósnia e Herzegovina, mas na Eslovênia nem tanto, porque existia uma teoria de cultura um pouco dissemelhante da Eslovênia em relação aos outros”, conta Liebel.

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Em seguida as declarações de independência, a Eslovênia entrou em um conflito de dez dias com a Sérvia e teve um rápido reconhecimento dos sérvios. Foi dissemelhante do que aconteceu com os croatas e os bósnios, que viveram guerras. “Foram processos muito sangrentos e pleno de traumas, carregados pelas famílias até hoje. Essas cicatrizes estão marcadas. E aí a gente tem os jogadores de futebol sempre lembrando disso. Quando temos jogos, principalmente entre Sérvia e Croácia, a gente vê que as coisas não são só esportivas, afirma o pesquisador.

Em campo, a Sérvia estreou com rota para a Inglaterra e é a lanterna do Grupo C. Já a Eslovênia empatou no finalzinho da partida contra a Dinamarca. A partida desta terça-feira é determinante para o horizonte de ambas as seleções na Eurocopa. Caso sejam derrotados, os sérvios praticamente dão adeus ao torneio. Tudo pode depender, ainda, do outro jogo do grupo, entre dinamarqueses e ingleses, também nesta terça-feira, mas às 13h (de Brasília).

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