Março 28, 2025
Mais de 206 milénio propriedades rurais foram afetadas pelas enchentes no RS

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As chuvas extremas desde o final de abril causaram danos por inundações e deslizamentos em boa secção do território gaúcho. No meio rústico, mais de 206 milénio propriedades foram afetadascom perdas na produção e na infraestrutura, e 34.519 famílias ficaram sem chegada à chuva potável. Esses dados constam no Relatório de perdas referente à maior calamidade climática que atingiu o Rio Grande do Sul, divulgado na segunda-feira (3/6), pelas secretarias da Lavra, Pecuária, Produção Sustentável e Rega (Seapi) e de Desenvolvimento Rústico (SDR).

O documento, que abrange o período entre 30 de abril e 24 de maio, foi elaborado pela Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rústico (Emater/RS-Ascar). Os dados são oriundos do sistema Sisperdas – provido com informações de todos os escritórios regionais e municipais da Emater.

Durante o período de chuvas intensas, 9.158 localidades foram atingidas no RS. Atualmente, dos 497 municípios gaúchos, 78 estão em estado de calamidade pública (a maior secção no Vale do Taquari e na Região Metropolitana de Porto Satisfeito), enquanto 340 estão em situação de emergência.

“Essa é a maior tragédia da história do nosso Estado, e atinge proporcionalmente a cultura, que é nosso maior setor produtivo. A partir desse levantamento de perdas, vamos conseguir agir com ainda mais precisão e presteza na estruturação de ações e políticas públicas para auxílio aos agricultores familiares e recomposição de nossas áreas produtivas”, afirmou o titular da SDR, Ronaldo Santini.

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Em relação a produção de grãos, as perdas se referem às áreas que não puderam ser colhidas, ou às que foram colhidas e tiveram grave rendimento, incluindo soja, milho e feijoeiro, entre outros. As perdas nas culturas de inverno foram pontuais e correspondem a áreas recém-semeadas, que deverão ser replantadas. Foram prejudicados 48.674 produtores de grãos, grande secção de milho e soja.

“Os números retratam a magnitude que o evento meteorológico causou no agro gaúcho. Ações emergenciais já foram tomadas para tentar minimizar os efeitos nas áreas rurais, porquê a flexibilização de normativas, mas os demais projetos devem ser construídos junto com os setores e entidades, para ajudar na reconstrução dessa espaço produtiva que é tão importante não só para a economia gaúcha mas também brasileira”, frisou o titular da Seapi, Giovani Feltes.

No meio rústico, 19.190 famílias tiveram perdas relativas às estruturas das propriedades, porquê casas, galpões, armazéns, silos, estufas e aviários. Em relação à agroindústriadados preliminares apontam prejuízos para tapume de 200 empreendimentos familiares.

A sobrevivência e a acolhida das famílias atingidas foram priorizadas pelos extensionistas da Emater/RS-Ascar em todas as regiões do Estado. Ou por outra, a instituição tem trabalhado no levantamento das perdas sociais, agropecuárias e de infraestrutura que podem ser consideradas na construção de políticas públicas.

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“As ações de recuperação que deverão ser executadas com essas famílias serão orientadas para o desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural, numa perspectiva socialmente justa, ambientalmente sustentável e economicamente viável”, destacou o diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera.

Produção primária

Considerando o volume, a maior perda ocorreu na produção da soja. Foram 2,71 milhões de toneladas perdidas. A estimativa divulgada em março deste ano pela Emater/RS-Ascar era que fossem colhidas 22,24 milhões de toneladas, em uma espaço plantada de 6,68 milhões de hectares, com produtividade de 3.329 quilogramas por hectare. Descontando a espaço afetada pelas chuvas e as perdas, a novidade estimativa de produção é de 19.532.479 toneladas, com produtividade média de 2.923 quilogramas por hectare.

O levantamento também traz informações sobre a horticultura e a fruticultura, em peculiar nas regiões do Vale do Taquari e da Serra, além de regiões próximas à Região Metropolitana, onde se encontra um grande mercado consumidor.

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A produção pecuária gaúcha também foi severamente impactada, exigindo longo período para recuperação. As perdas de animais afetaram de forma significativa 3.711 criadores gaúchos. O maior número de animais mortos foi de aves, totalizando 1.198.489 indivíduos adultos. Também houve perdas substanciais de bovinos de galanteio e de leite, suínos, peixes e abelhas.

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Ou por outra, uma vasta extensão de pastagens foi prejudicada, tanto em campo nativo quanto em áreas de cultivo de vegetalidade forrageiras de inverno. Por isso, o relatório prevê um impacto direto na produção de leite e de músculos nos próximos meses.

Nem todas as regiões foram afetadas uniformemente. Em algumas, os danos na pecuária foram muito expressivos, porquê nos vales dos rios Taquari, Caí, Pardo e Paranhanamuito porquê na região da Quarta Colônia da Imigração Italiana na Encosta da Serra.

fruticultores

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O período do evento climatológico extremo coincidiu com a temporada final de frutificar de importantes variedades de citros, em peculiar a bergamota, que já estava em colheita. Em muitos pomares, o solo ficou inundado, não somente em razão da inundação, mas por vários dias com precipitações volumosas. Os citros, na região dos Vales, e a banana, nas encostas da Serra do Mar, foram as culturas mais prejudicadas, com impacto para 8.381 propriedades.

Olericultura

O fornecimento de hortaliças nos centros urbanas foi fortemente afetado. As culturas de folhosas e leguminosas sofreram maior impacto na região Metropolitana, na Serra e nos vales do Taquari e do Caí.

Considerando o volume e a espaço plantada, as maiores perdas foram de batata, brócolis e aipim. As dificuldades logísticas para escoar a produção remanescente e a incerteza sobre a demanda provocaram a redução da oferta, mas não houve interrupção totalidade, situação que permitiu uma menor elevação dos preços na Ceasa/RS.

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A intensidade das chuvas danificou a estrutura foliar tenra das olerícolas folhosas (alfaces, rúculas e radiches) e dos temperos (salsa e cebolinha). Houve prejuízos também em relação à qualidade e à semblante das verduras.

O período das chuvas coincidiu com o momento tradicional de mudança das áreas de cultivos olerícolas, em peculiar na região de Maquiné e no Vale do Paranhana. Nos meses de verão, os cultivos são transferidos para áreas de maior altitude, porquê nos Campos de Cima da Serra (São Francisco de Paula e Cambará do Sul).

O relatório técnico completo inclui, ainda, os impactos para os povos tradicionais, a cultura do arroz, a floricultura, o fornecimento, o cooperativismo, as produções leiteira e florestal, além de dados meteorológicos e ações para o enfrentamento da calamidade.

Texto: João Vicente Ribas/Ascom Emater/RS-Ascar
Edição: Rodrigo Toledo França/Secom

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