Abril 5, 2025
Retaliação da China amplia chances de recessão global e torna acordo improvável, dizem analistas

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A retaliação da China contra tarifas recíprocas dois EUA deflagrou uma nova onda de preocupações e volatilidade nos mercados internacionais. A intensificação da Guerra Comercial amplificou a probabilidade de recessão global e dificulta possíveis acordos, segundo analistas.

O país asiático decidiu nesta sexta-feira, 4, taxar em 34% os produtos importados dos Estados Unidos. A medida veio em resposta ao tarifaço promovido pelo presidente americano, Donald Trumpe aumentou o receio de que a guerra comercial ganhe maiores proporções e prejudique tanto as economias diretamente envolvidas no conflito quanto aquelas menos afetadas pela tarifação, como é o caso do Brasil.

Em resposta, o índice de volatilidade VIX ― termômetro do medo em Wall Street ― saltou mais de 40%, ao maior nível desde agosto de 2024, com as bolsas de Nova York registrando perdas de mais de 3%. A reação dos mercados foi de intensificar a fuga de ativos de risco e busca por segurança em escala global. Na Europa, Milão liderava perdas, caindo mais de 7% em determinado momento da sessão, com o subíndice bancário tombando mais de 6%. Entre commodities, o cobre derretia 7%, enquanto as perdas do petróleo chegavam a 8%.

Intensificação da guerra comercial amplia as probabilidades de queda no comércio internacional e de recessão global, segundo economistas Foto: AP

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A Capital Economics classificou a reposta chinesa como “agressiva” e uma “escalada que torna um acordo comercial entre as duas superpotências como altamente improvável no curto prazo”.

““(O presidente chinês) Xi Jinping parece sentir que a economia da China é forte o suficiente para resistir a qualquer coisa que Trump faça contra ela em seguida”, diz a consultoria britânica, em nota a clientes, referindo-se ao fato de que Trump ameaçou impor tarifas adicionais a quaisquer países que respondessem com retaliação.

Cenário ‘mais perturbador’

O economista-chefe do JPMorgan, Bruce Kasman, afirmou que a retaliação da China torna o ambiente “potencialmente mais perturbador”. Na sua visão, a maneira como a política tarifária do presidente dos Estados Unidos foi desenhada, tentando eliminar os déficits país a país dificulta uma negociação com as nações atingidas.

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“Isso dificulta a negociação, torna mais provável que tenhamos retaliação. Vemos isso na China hoje, e isso torna (o cenário) potencialmente mais perturbador”, disse Kasman, em teleconferência com investidores.

Para Kasman, o relatório de emprego dos EUA de março foi um sinal claro da “resiliência subjacente” da economia americana, mas as tarifas de Trump ofuscam os números. A economia dos EUA criou 228 mil empregos em março, acima das Projeções Broadcastque apontavam intervalo de 90 mil a 180 mil vagas, com mediana de 140 mil.

Na noite de quinta, antes do anúncio chinês desta sexta-feira, o JPMorgan já havia revisado para cima a probabilidade de recessão global e nos EUA, de 40% para 60%.

Economista sênior do Inter, André Valério estima que a intensificação da guerra comercial, especialmente se outros países se juntarem à abordagem chinesa, amplia as probabilidades de queda no comércio internacional e de recessão global.

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“Tudo indica que a política tarifária de Trump será mais prejudicial ao crescimento do que à inflação. Tendo herdado uma economia robusta, com um mercado de trabalho saudável, as medidas anunciadas na quarta-feira têm o potencial de encerrar o atual ciclo de expansão da economia americana”, alerta Valério.

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Para o economista, é este cenário que motiva os mercados a apostarem em queda dos juros do Federal Reserve (Fed) no curto prazo, com especulações sobre uma redução já na próxima reunião, em maio, e cerca de quatro cortes em 2025. “No Brasil, o mercado reduz a precificação de alta da Selic para maio, com uma alta residual de 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual) ganhando força”, diz.

Situação brasileira

O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, avalia que a resposta da China não é uma boa notícia, mas não piora a situação brasileira. “O dia deve ser ruim no mercado, com manutenção da aversão a risco. Ontem (quinta-feira, 3)enquanto a maior parte das bolsas estava caindo, o Brasil estava no zero a zero”, observa. “O Brasil está sendo visto como um vencedor, porque ficamos com o piso das tarifas e a importância do comércio exterior com outros países é menor”, ressalta.

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Leal destaca que a economia brasileira é pouco dependente das exportações, com cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do País correspondendo às exportações. “Digamos que o impacto (da retaliação chinesa) seria marginal. Grande parte da nossa balança comercial é composta por produtos agrícolas e as pessoas terão que continuar comendo”, afirma o economista, que também avalia que o impacto seria positivo na inflação brasileira, com viés de baixa com a queda expressiva do preço das commodities ao redor do mundo.

Segundo o economista, a tendência para o câmbio é de dólar mais fraco no mundo, uma vez que o movimento tarifário proposto pelo presidente americano, Donald Trump, enfraqueceu a moeda nos últimos dias.

Em relação à Selic, Leal afirma ser cedo para mudar as projeção de juros, mas é esperada uma política monetária menos contracionista, o que pode contribuir com um crescimento maior da economia brasileira em 2026, depois de um 2025 mais fraco.

Para Leal, a reação chinesa implica em menor espaço de negociação da política tarifária para os Estados Unidos. “Isso diminui as expectativas do mercado de que o impacto das medidas do Donald Trump possam ser menores, apontando para um cenário de estagflação nos EUA”, considera.

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Adicionalmente, o economista aponta que a China deve buscar mercados alternativos para os seus produtos, com uma inundação de produtos chineses pelo mundo, o que pode impactar a concorrência nos setores automobilístico e têxtil. “Continuamos no ‘wait and see’ para o Brasil”, conclui./Aline bronzeado, Anna Scabello, Laís Adriana e Sergio Caldas

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