Ramón Masats, vencedor do Prémio Vernáculo de Retrato em 2004 e um dos grandes inovadores da retrato documental dos anos 50 e 60, morreu esta segunda-feira em Madrid, aos 92 anos. Nascido em Caldes de Montbui, Barcelona, em 17 de março de 1931 (estava prestes a completar 93 anos), é responsável de fotografias tão conhecidas uma vez que a de um grupo de padres jogando futebol, nas quais capturou o momento por trás, em que o goleiro, vestido com hábito, vai em direção à esfera.
Outras fotos conhecidas dele são as do cinema El Cid, A queda do Poderio Romano sim 55 dias em Pequimtodos filmados na Espanha, pelo qual ganhou um prêmio na Inglaterra em 1962. Recebeu diversos outros prêmios ao longo de sua curso, sendo um dos mais recentes o Prêmio PHotoEspaña pelo conjunto da obra em 2014. Simpatizante de Henri Cartier-Bresson, Willian Klein, Arnold Newman, Elliot Erwitt, Richard Avedon e Yusouf Karsh, Masats começou a colaborar em 1956 no semanário ‘Gaceta Ilustrada’, e de 1956 a 1963 participou do Grupo Afal e da revista de mesmo nome.
Permaneceu sempre ligado ao Grupo Fotográfico da Catalunha, do qual fazia secção desde 1954, com Oriol Maspons e Xavier Miserachs, com quem fez a sua primeira exposição em 1956, e com Ricard Terré. Obteve o Prémio Luis Navarro de Retrato de Vanguarda em 1956 e um ano depois instalou-se em Madrid.

Expôs o seu trabalho na Royal Photographic Society e teve grande impacto nos fotógrafos Gabriel Cualladó, Gerardo Vielba e Paco Gómez, com quem criou a efêmera associação ‘La Palangana’, à qual mais tarde se juntou Juan Dolcet, Rafael Romero e Gonzalo Juanes do grupo mais tarde publicado uma vez que Escuela de Madrid. Tirou fotos entre 1957 e 1960 dos Sanfermines, em Pamplona, nas quais imortalizou tudo, desde os corredores dos touros ao público heterogéneo que os testemunhou, instantâneos que só foram conhecidos em 1963 no livro fotográfico Os Sanferminas.
Participou entre 1956-63 no Grupo AFAL, em torno da revista homónima, criada em Almería entre 1956 e 1963, colaborou com os jornais ‘Ya’ e ‘Arriba’ e com a revista ‘Mundo Hispánico’, e recebeu o Negociador de prêmios. Ilustrou para a Lumen o livro ‘Velhas Histórias da Velha Castilla’ de Miguel Delibes (1964), e também trabalhou para cinema e televisão, além de participar com Carlos Saura numa exposição na Galeria Juana Mordó.
Longe da retrato, a partir de 1965 produziu diversas séries de documentários para televisão, uma vez que Os Rios, O Prado Vivo sim Aquele que ensina e ganhou diversos prêmios, e em 1966 começou a colaborar em diversas séries da TVE, uma vez que Conheça a Espanha, Roots sim Vésperas do nosso tempo. Ele dirigiu o filme em tempo integral Espanhol tópico (1970) e realizou os documentários para televisão A Espanha dos contrastes, Inverno na Espanha’ sim Um paraíso emergiu das águas: Espanha.
Em 1981 decidiu retomar a retrato e começou a publicar livros monográficos, uma vez que o intitulado Nossa Madricom texto de Luis Carandel ou diversa Espanha (1983). Outrossim, coordenou a série Touradas para TVE, e em 1985 participou de uma exposição coletiva em Paris intitulada Retrato catalã dos anos 50. Depois vieram os livros Andaluzia (1986) com textos de José Manuel Caballero Bonald, e Ao andaluz. Islã na Espanha, entre outros.
Em Setembro de 2008, o Núcleo de Arte Dos de Mayo da Comunidade de Madrid, em Móstoles, dedicou-lhe uma exposição com um conjunto de obras a preto e branco de produção anterior (1955-65), com retratos do mundo rústico. Em julho de 2010 expôs em Guadalajara Contatoscom fotografias de sua primeira lanço, em preto e branco, até o último trabalho, agora em cores.