É e não é para crianças. Herstory: Uma História Ilustrada das Mulheres integra-se na coleção Orfeu Mini da Orfeu Preto, que a editora Carla Oliveira gosta de nomear uma vez que “uma série de livros ilustrados para miúdos e graúdos”.
Recordou-o na conversa na Culturgest, em Lisboa, no dia 5 de Março, a invitação do PÚBLICO, sob o mote “Menino ou moçoila? Estereótipos nos livros para crianças”. Festejava-se o 34.º natalício do jornal e o tema maior era “Ser mulher em liberdade”, pelo que fez todo o sentido que nos desse a saber esta obra, num pintura partilhado com Célia Louro (do grupo Penguin Random House) e Dora Batalim (professora universitária profissional em livro infantil).
A editora explicou que o livro foi escrito originalmente em Espanha, mas que nesta edição fez por integrar mulheres portuguesas, assim uma vez que momentos importantes da história pátrio. Exemplos: a trabalhadora rústico Catarina Eufémia, a jornalista Maria Lamas, a ministra Maria de Lourdes Pintasilgo, a desportista Rosa Mota, as cantoras Guloseima, a transexual e trabalhadora do sexo Gisberta Júnior, a escritora Paulina Chiziane (primeira mulher africana distinguida com o Prémio Camões), o 25 de Abril de 1974, a Marcha Mundial das Mulheres, a Primeira Marcha do Orgulho de Lisboa e a interrupção voluntária da gravidez em Portugal.
Cristina Daura
Esta escolha, que não está cá descrita na totalidade, é assim justificada nas últimas páginas: “Para uma representação mais completa da história das mulheres em Portugal, esta edição de A história dela perímetro com uma seleção cuidada e minuciosa de figuras e momentos incontornáveis, além da adaptação, em alguns momentos, dos textos da edição original à verdade portuguesa. Nascente trabalho, sempre subjetivo e inevitável incompleto, foi reforçado por Olímpia Pereira, há muito ligado à resguardo dos direitos das mulheres em Portugal, em diálogo com o Orfeu Preto. As novas entradas são acompanhadas por ilustrações de Cristina Daura, exclusivas para esta edição.”
Da pré-história ao #MeToo
O resultado é um livro informativo, mas também emotivocom um leque muito alargado de mulheres de várias geografias e devotado a diversas áreas do conhecimento, das artes, da política, do esporte, da resguardo dos direitos humanos. Mais ou menos feministas, todas elas se distinguiram pela coragem, luta e persistência num mundo escravizado principalmente por homens. Muitas foram vítimas às suas mãos até à morte.
Organizado da pré-história ao movimento #MeToo, que denuncia o assédio sexual às mulheres, A história dela “recupera histórias e imagens de mulheres votadas ao esquecimento pela narrativa ocidental dominante”. Na divulgação do livro, escreve-se que “a história das mulheres tem sido uma guerra metódico pela conquista de novos espaços de liberdade, encabeçada por figuras decisivas e iniciativas coletivas”.
Cristina Daura
A escritora feminista britânica Virginia Woolf, a filósofa francesa Simone de Beauvoir (“ninguém nasce mulher: torna-se mulher”), mas também as mulheres da Terreiro Tahrir (Primavera Sarraceno, 2011) ou as palestinianas Matiel Mogannam (cristã) e Tarab Abd al-Hadi (muçulmana), que discursou contra a invasão judaica na dez de 1930, e tantas outras, com as suas lutas mais ou menos visíveis, têm cá lugar.
Escrevendo as autoras na Introdução: “Tentar abraçar a ‘História das mulheres’ num livro de espaço reduzido é uma missão impossível desde o início. A termo ‘História’ cria um problema de base, e foi para nós uma prioridade despojá-la da sua chefia inicial e vencer o plural. Em A história dela não falamos de ‘História das mulheres’, mas de ‘histórias de mulheres’, de micronarrativas que se entrecruzam e nos conduzem a outras histórias, para expelir as tabiques do relato e abri-lo a mutações, notas de rodapé, esboços e contribuições díspares .” Fizeram-não, muito.
María Bastarós e Nacho M. Segarra são especialistas em história da arte, feminismo, ativismo e sexualidade, trabalhando nas áreas de escrita e de consultoria para projetos artísticos.
Acompanhá-las está o trabalho de Cristina Daura, com ilustrações coloridas e de possante pendor ativista. Vive em Barcelona e diz que as suas grandes influências são a orquestra desenhada, a televisão e o fauvismo. Nota-se.
A divulgação de A história dela por secção da editora termina assim: “Um livro inspirador para todas as mulheres, porque a luta continua agora e sempre, e cada dia mais guerreiras se juntam ao combate.”
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