O alerta é de uma novidade investigação: a Batagaika, uma cratera com muro de um quilómetro de extensão e 85 metros de profundidade, está a crescer a um ritmo alarmante. A “porta do inferno”, uma vez que também é conhecida, está localizada na remota República de Sakha, na Rússia. Para se ter uma teoria da dimensão, só a plataforma em que está assente o Cristo Rei, em Almada, tem 82 metros (a estátua tem mais 28 metros).
De convenção com estudos recentes, citados pela revista científica Geomorphology, esta cratera está a aumentar muro de um milhão de metros cúbicos por ano devido ao degelo do permafrost.
O que é exatamente Batagaika?
A cratera, também conhecida uma vez que “porta do inferno”, é um penhasco circunvalar que foi desvelado há décadas através de imagens de satélite, depois de um “deslizamento” numa encosta na região das terras altas de Yana, no setentrião de Yakutia, na Rússia, devido à perda de permafrost (pergelissolo).
Por isso, Batagaika não é propriamente uma cratera, mas sim “um deslizamento de degelo retrógrado”, segundo refere Roger Michaelides, professor assistente de Ciências da Terreno e Planetárias na Universidade de Washington, citado pela revista Science.
O permafrost, ou pergelissolo, é uma categoria do subsolo da crosta terrestre – formado por uma categoria de gelo, rocha e material orgânica – que está congelada permanentemente ou que permanece a zero ou inferior de zero graus Celsius durante dois anos. Levante permafrost estaria enregelado há 650 milénio anos, sendo, por isso, o mais velho da Sibéria e o segundo mais velho do mundo.
Desta forma, a “porta do inferno” é uma depressão termocárstica e o aumento das temperaturas leva ao derretimento do solo sedimentado, que assegura a solidez da terreno, debilitando sua estrutura, e à medida que vai derretendo, o tamanho da cratera aumenta.
“Com o aumento da temperatura do ar em todo o Ártico, o permafrost pode descongelar e, quando descongela, pode resultar em mudanças dramáticas na paisagem”, afirma Michaelides.
“Em zonas de permafrost rico em gelo, o degelo induz a fusão do gelo no solo, o que faz com que o solo diminua e forme depressões irregulares na superfície. Algumas destas depressões podem encher-se de chuva acumulada e formar lagos termocársticos e, por vezes, pode resultar em deslizamentos de terreno, à medida que o permafrost continua a descongelar e a tornar-se instável. Foi mais ou menos isso que aconteceu com a cratera Batagaika”, explica.
Uma vez que foi formado Batagaika?
De convenção com a revista Science, o abate de florestas em volta da cratera alterou o estabilidade da paisagem de permafrost lugar, conduzindo à depressão geológica.
“Sem vegetação, a virilidade do sol foi capaz de descongelar o permafrost, levando à formação de uma ravina progénito”, detalha Michaelides.
“A formação desta ravina pode levar a um degelo ainda maior do permafrost durante as épocas de verão, o que faz com que a cratera se expanda. Uma vez que as superfícies de permafrost expostas são suscetíveis de descongelar, leste processo acelera e pode formar-se um megaslump [uma grande recessão]”.
Levante tipo de formação de termocársticos é frequente quando o permafrost descongela e as bactérias decompõem a material orgânica que estava no seu interno. À medida que libertam carbono para a atmosfera sob a forma de gases com efeito de estufa, estes gases aquecem o planeta, o que pode liquidificar ainda mais permafrost.
Por exemplo, o degelo destas camadas reduz a vegetação que protege do calor solar, já que ao liquidificar, esta superfície fica incapaz de suportar a vegetação, o que leva ao aumento do aquecimento do solo. Aliás, o degelo desta categoria leva à desagregação da material orgânica até portanto preservada no permafrost, o que também liberta dióxido de carbono na atmosfera. Tudo isto, resulta numa perda ainda maior do pergelissolo.
“À medida que o permafrost descongela, a sua resistência estrutural passa de um tanto parecido com betão para lodo húmida e, numa superfície terrestre inclinada uma vez que esta, isto faz com que o solo se desloque”, explica Michaelides.
“O resultado é uma caraterística de colapso maciço e de expansão lenta”.
Outra das consequências apontadas pelo degelo do permafrost é a possibilidade de libertação de vírus antigos, alguns com 48.500 anos. Em 2016, o degelo do permafrost terá libertado Bacillus anthracis.
O que descobriram os cientistas de novo?
Agora, os investigadores russos, em colaboração com alemães, determinaram que as paredes desta encosta estão a retroceder muro de 12 metros por ano.
Segundo o estudo da “Geomorphology”, desde 2014, esta cratera já cresceu 200 metros, atingindo uma largura de 990 metros e, apesar de os cientistas já terem conhecimento que a cratera estava a aumentar, esta foi a primeira vez que foi verosímil quantificar o volume do degelo, calculando-se também que liberta muro de 5 milénio toneladas de carbono por ano.
À medida que a Sibéria aquece a um ritmo sem precedentes devido às alterações climáticas, a cratera Batagaika também continua a crescer e é provável que continue a aumentar. “Em algumas áreas, a cratera está a expandir-se a um ritmo de dezenas de metros por ano”, diz Michaelides.