Março 7, 2026

Brasil é uma ‘nova Índia’ na prestação de serviços de tecnologia para o exterior #ÚltimasNotícias

Brasil é uma ‘nova Índia’ na prestação de serviços de tecnologia para o exterior
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Há cerca de duas semanas, a gigante japonesa NTT Data adquiriu a empresa brasileira de serviços de tecnologia Aoop — em mais uma operação que está transformando o Brasil em pólo para a contratação tercerizada de engenheiros e desenvolvedores por empresas de outros países, movimento conhecido como escoramento de TI. Desde 2020, foram realizadas mais de 20 aquisições de empresas brasileiras dessa área, movimentando quase R$ 9 bilhões.

— O Brasil está se transformando na nova Índia para serviços de tecnologia escoramento — diz Daniel Milanez, COO e co-fundador da IGC Partners, butique de fusões e aquisições que só trabalha para o “lado vendedor”. Nos últimos quatro anos, a IGC intermediou 75% das operações no setor de serviços de tecnologia, incluindo a venda da Aoop. Foram 17 transações que movimentaram R$ 4,48 bilhões.

Até o começo do ano que vem, o IGC deve concluir pelo menos mais duas transações nessa área, com um fundo e com uma empresa estrangeira estratégica que ainda não está no Brasil. — Já temos quatro conversas com memorandos de entendimentos assinados, preço e estrutura definidos em fase de diligência. E outras dez conversas em andamento — diz Rafael Frugis, sócio do IGC e responsável pelos negócios na área de serviços de tecnologia.

Fora do radar de investidores até há oito anos, as empresas prestadoras de serviço de tecnologia são intensivas em mão de obra de engenharia e cientistas da computação, que desenvolvem sistemas de tecnologia sob demanda. — Na pandemia, muitas conversas sobre serviços indianos tiveram problemas de entrega e o Brasil passou a ser visto como uma opção para grandes empresas. Além da qualidade da mão de obra, o Brasil se torna atraente por ter mais camadas culturais com empresas americanas e europeias e uma menor diferença de fuso horário. Ó terceirização virou perto do escoramento ou escoramento amigável com o Brasil — diz Frugis.

As empresas de serviço de tecnologia sempre foram geradoras de caixa, mas no passado não eram muito valorizadas pelos investidores. Grandes empresas como Tivit, CI&T e Stefanini trilharam caminhos de crescimento orgânico de início, enquanto as menores eram totalmente fora do radar. Isso até surgirem os bancos digitais, exigindo uma transformação nos bancos por aplicativos mais amigáveis ​​e modernos. O Itaú chegou a abrir mil vagas para profissionais de tecnologia, mas não conseguiu atrair talentos, mais acostumados a um ambiente de trabalho informal. O jeito foi fazer um aluguel de aquisição: adquirir uma empresa pelo tempo. Em 2019, roubou a Zup, na época com 900 funcionários e avaliado em R$ 575 milhões (ou R$ 600 mil pela desenvolvedora), mantendo o negócio separado. Hoje são 4 mil funcionários, atuando exclusivamente em projetos para o banco.

De lá para cá, o mercado aqueceu. Grandes empresas como Boticário, Ambev, Alpargatas fizeram suas “aquisições”, pagando múltiplos superiores a R$ 1 milhão. Agora o mercado vive uma nova onda, com o Brasil se transformando em um destino estratégico para empresas globais de escoramento de TI.

— Esse movimento de aquisição deu uma baixada e hoje o que a gente tem visto são empresas globais que prestam serviços com desenvolvedores espalhados pelo mundo, principalmente na Índia, comprando empresas no Brasil para ter uma base aqui — diz Frugis.

Além da Índia, que ficou fragilizada na pandemia, a guerra da Ucrânia também abriu espaço para o Brasil, em detrimento de desenvolvedores russos.

Entre as empresas globais que estão entrando ou ampliando presença no Brasil estão a indiana Marlabs, com a compra da Monitora, e a Telefônica, que adquiriu a Vita IT. A multinacional argentina Globant comprou a Iteris. E, agora, a japonesa NTT Data ampliou a presença no mercado brasileiro com a compra da Aoop.

Em um caminho mais independente, a startup catarinense Indicium se internacionalizou após um aporte de US$ 40 milhões do fundo de venture capital norte-americano Columbia Capital, no início do ano. A empresa agora tem sede em Nova York, mirando o mercado americano, mas com o tempo exportando serviços do Brasil.

O Brasil também tem um grande player global na área: a CI&T, que foi investida pela gestora de private equity Advent, tinha 50% dos clientes no Brasil quando fez seu IPO na Nasdaq em 2021. Um ano depois, 60% da receita já vinha de fora.

A área de serviços de tecnologia é uma entre oito grandes áreas em que o IGC se especializou, sempre convidada para a empresa que quer ser vendida ou atrair investidores. A IGC deve intermediar mais de 20 operações de fusão e aquisição este ano, sendo mais de 70% vendendo empresas de médio porte brasileiras para investidores estrangeiros, divididas entre fundos de private equity e estratégicos.

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