Abril 5, 2025
o que experimento dos ratos revela sobre futuro?
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Entre as décadas de 1950 e 1970, o mundo se assustava com a possibilidade da superpopulação. Com esse risco em mente, o cientista estadunidense John B. Calhoun (1917-1995), behaviorista e etologista do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) de Maryland (EUA), resolveu fazer algo a respeito.

Ele pensou o seguinte: “o que acontece quando uma população tem tudo o que precisa?” A partir de testes realizados com ratos e camundongos, ele constatou uma espécie de espiral de decadência social e colapso demográfico, a qual ele chamou de “ralo comportamental” (behavioral sink): um espelho da decadência humana e uma imagem do que poderia estar por vir.

Experimento de Calhoun sobre os efeitos da superlotação

  • Para seus testes, o cientista criou “universos de camundongos”;
  • O mais famoso deles é conhecido como Universo 25 e foi criado em 9 de julho de 1968;
  • Em espaço de 2,7 m x 2,7 m, ele criou o mundo ideal (mas utópico), com comida e água ilimitadas, centenas de ninhos, temperatura ideal e sem nenhum predador;
  • Em artigo publicado em 1973, Calhoun descreveu que, no começo, eram quatro casais de roedores cuidadosamente selecionados;
  • Tudo parecia ir bem, com eles se acasalando, crescendo e prosperando. A cada dois meses, a população de camundongos dobrava de tamanho;
  • Mas quando o Universo 25 chegou a 620 animais, problemas surgiram: com pouco espaço e incapazes de se encontrar na hierarquia, os mais jovens se desajustavam e as fêmeas solteiras iam para ninhos isolados nos níveis superiores, passando a viver como ermitãs;
  • Na outra ponta, os machos alfa tinha agressividade extrema, a ponto de praticarem canibalismo;
  • Já os demais machos eram apáticos, só comiam, bebiam e se cuidavam, sem interagir com mais nenhum;
  • Para piorar, as mães, oprimidas por conta do estresse da aglomeração, se descuidavam de suas crias, as abandonavam e, até as atacavam;
  • A mortalidade infantil, em algumas áreas, chegou a 96%.
Calhoun rodeado por seus roedores em foto preto e branco
Experimento trouxe questionamentos (Imagem: Yoichi R Okamoto/CC)

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Mesmo havendo espaço para 3,84 mil camundongos, a população nunca superou os 2,2 mil. O último nascimento aconteceu no dia 600 da experiência.

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Daí em diante, essa sociedade de roedores entrou no ralo comportamental, pois os animais se esqueceram de como se cuidar, cuidar de suas crias e até como interagir normalmente. É uma dinâmica social tem paralelismos preocupantes com as cidades humanas com alto teor populacional.

O crescimento e colapso do Universo 25 era parte do corpo de pesquisa, que incluiu vários experimentos envolvendo ratos e camundongos em condições controladas. Eles eram balizados pelo trabalho do economista inglês Thomas Malthus (1766-1834), “Um Ensaio sobre o princípio da População”.

Pode-se dizer que Calhoun não queria apenas entender as dinâmicas demográficas dos roedores, como, também, advertir a humanidade sobre seu possível futuro, pois concluiu que a aglomeração poderia provocar “morte do espírito”, mesmo com todas as necessidades físicas estando satisfeitas.

Como relembra a DWtais ideias reverberaram com força na sociedade da época, que já se preocupava com o crescimento urbano descontrolado e a explosão demográfica, sendo rememorado até hoje nas culturas acadêmica e popular.

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A experiência foi tema de diversos romances ficcionais, enquanto o termo “ralo comportamental” passou a ser usado pelo escritor Tom Wolfe para descrever os males das cidades modernas.

camundongo
Mundo utópico dos roedores colapsou (Imagem: JacobStudio)

Definição questionada

Com o passar do tempo, essa interpretação passou a ser questionada, com alguns pesquisadores argumentando que o problema não era a densidade da população efetivamente, mas a concepção da experiência.

Isso porque ela permitia aos membros mais agressivos que monopolizassem os melhores espaços, criando uma desigualdade artificial. Outros também decretaram que humanos não são camundongos.

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Estudos posteriores apontaram que nós conseguimos nos adaptar à superlotação de maneiras que os roedores não conseguem. Em contrapartida, há muitas cidades atualmente, inclusive nos Estados Unidos, que sofrem por densidade insuficiente, não excessiva, colaborando com o isolamento social e a falta de moradia financiável.

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Apesar dos pesares, a “utopia dos camundongos” segue como grande metáfora sobre a complexidade de nossas sociedades, nos fazendo pensar sobre as noções corriqueiras de progresso e bem-estar.

Além disso, devemos ter em mente que, por si só, a abundância material não garante sociedade saudável. Isso é óbvio, mas parece que estamos esquecendo disso.

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