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Durante anos, as pessoas notaram que anúncios de produtos que discutiram recentemente em conversas — mesmo sem procurá-los online — de repente aparecem em seus dispositivos. Embora muitos tenham descartado isso como uma coincidência ou atribuído à publicidade direcionada com base em pesquisas online, descobriu-se que há mais na história. De acordo com um relatório da 404 Mídiauma empresa de marketing confirmou que os smartphones não estão apenas rastreando a atividade online dos usuários — eles também estão ouvindo o que você diz em voz alta, perto do seu telefone.
Os smartphones podem de fato estar ouvindo nossas conversas, graças a uma tecnologia conhecida como “escuta ativa”. Essa descoberta inquietante acontece depois que uma empresa de marketing, cujos clientes incluem gigantes da tecnologia como Google e Facebook, admitiu usar um software que monitora as conversas dos usuários por meio dos microfones de seus dispositivos. Essa admissão levantou sérias questões sobre privacidade, consentimento do usuário e a ética da publicidade direcionada.
Como os telefones estão ouvindo as conversas dos usuários?
De acordo com o relatório, o Cox Media Group (CMG), um grande player na indústria de mídia, desenvolveu uma tecnologia que pode ouvir e analisar conversas no ambiente por meio de microfones em smartphones, smart TVs e outros dispositivos.
Essa tecnologia, chamada de “Active Listening”, usa inteligência artificial (IA) para coletar dados em tempo real sobre o que os usuários podem estar considerando comprar. Ao analisar conversas, o software pode identificar clientes em potencial e entregar anúncios que se alinham com suas intenções faladas.
Como funciona a tecnologia de “escuta ativa”?
A tecnologia de ‘escuta ativa’ funciona combinando dados de voz — capturados de conversas cotidianas — com dados comportamentais coletados das atividades on-line dos usuários. De acordo com materiais de marketing revisados por 404 MídiaCMG afirma que essa combinação poderosa permite que os anunciantes direcionem os consumidores com mais precisão do que nunca. Por exemplo, se você discutir a compra de um carro novo com um amigo ou a inscrição em uma academia, essa conversa pode ser interceptada pela tecnologia de escuta ativa, que então aciona anúncios relacionados em seus dispositivos.
A extensão dessa prática ficou clara quando a CMG apresentou sua tecnologia aos investidores, revelando que ela poderia capturar e analisar dados comportamentais e de voz de mais de 470 fontes. Isso permite que os anunciantes obtenham insights mais profundos sobre as intenções e o comportamento do consumidor, indo além dos métodos tradicionais de rastreamento online.
O que isso significa para os usuários?
Um dos aspectos mais preocupantes dessa revelação é a facilidade com que os usuários podem ter consentido inconscientemente em serem monitorados. A CMG teria alegado em uma declaração agora excluída que os usuários concordam com a escuta ativa toda vez que baixam um novo aplicativo ou atualizam um existente.
As letras miúdas nos termos de acordos de uso, que a maioria dos usuários não lê em detalhes, frequentemente contêm cláusulas que permitem tais práticas invasivas. Isso permite que a tecnologia seja implantada sem consentimento explícito e informado, levantando sérias preocupações éticas e legais.
Práticas intrusivas de coleta de dados
A revelação sobre a escuta ativa faz parte de uma tendência maior de práticas intrusivas de coleta de dados. Esta é a terceira vez em um ano que 404 Mídia expôs as atividades questionáveis em torno desta tecnologia. Em um relatório anterior de dezembro, o meio de comunicação revelou como o CMG vinha promovendo esta tecnologia invasiva por meio de seu podcast, ao mesmo tempo em que mantinha suas capacidades amplamente escondidas dos olhos do público.
Isso é legal?
As leis de proteção de dados ao redor do mundo variam em como anúncios direcionados são tratados. No máximo, as leis garantem que o processamento de dados pessoais seja feito de forma transparente e segura.
O Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia é talvez uma das leis de proteção de dados mais rigorosas elaboradas até o momento, sob a qual as organizações devem obter consentimento explícito e informado dos indivíduos antes de processar seus dados pessoais para anúncios segmentados. Isso inclui o uso de cookies e tecnologias de rastreamento. Sob o GDPR, as organizações devem ser transparentes sobre como os dados pessoais são coletados, usados e compartilhados para anúncios segmentados.
Nos Estados Unidos, o California Consumer Privacy Act (CCPA) dá aos usuários a opção de optar por não vender seus dados pessoais a terceiros, o que geralmente está relacionado à publicidade direcionada. Os consumidores também têm o direito de saber quais dados pessoais estão sendo coletados e como são usados.
Na Índia, as leis de proteção de dados garantem que haja consentimento do consumidor para o uso de dados em anúncios segmentados e dão aos indivíduos a opção de optar por não participar dessas práticas.
No entanto, apesar dessas leis estarem em vigor, a maioria das pessoas não lê os termos e condições ou “as letras miúdas” antes de concordar em compartilhar seus dados. É quase fácil demais clicar impacientemente no botão “Aceitar todos os cookies” nos dispositivos para acessar sites e aplicativos desejados.
Conforme citado pelo Nova York Post, A declaração (excluída) da CMG teria dito: “Sabemos o que você está pensando. Isso é legal? É legal que telefones e dispositivos ouçam você. Quando um novo download ou atualização de aplicativo solicita aos consumidores um acordo de termos de uso de várias páginas em algum lugar das letras miúdas, a Escuta Ativa geralmente é incluída.”
Resposta do Google, Meta e Amazon
A tecnologia atraiu o escrutínio de alguns dos maiores clientes da CMG. Após o relatório surgir, o Google removeu a CMG de seu site “Programa de Parceiros” e declarou que todos os anunciantes devem cumprir as leis e regulamentações, acrescentando que qualquer violação de suas políticas levaria a uma ação apropriada.
A Meta, empresa-mãe do Facebook e do Instagram, respondeu às perguntas do Publicar, dizendo que estava analisando se a tecnologia da CMG havia violado seus termos de serviço, reiterando que não usa os microfones dos telefones dos usuários para segmentação de anúncios.
A Amazon, outro grande cliente, também negou qualquer envolvimento com o programa do CMG e alertou que tomaria medidas legais contra qualquer parceiro que violasse suas regras.
Essas revelações lembram os usuários da importância de entender os termos e condições com os quais as pessoas concordam ao usar dispositivos e serviços digitais. Também destaca a necessidade de maior transparência e regulamentação nos setores de tecnologia e publicidade para proteger os consumidores de vigilância intrusiva, um tópico que tem gerado amplo debate nos últimos anos.
Primeira publicação: 04 de setembro de 2024 | 16h19 IST
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