Então, parece que uma empresa estatal de Xangai resolveu entrar bravamente na selva dos semicondutores. A notícia é que eles começaram a produzir em massa máquinas de litografia de ultravioletas profundos (DUV) de imersão. Para quem ainda não percebeu, isto é uma grande jogada, pois as primeiras unidades devem ser entregues este ano a algumas das maiores fábricas de chips da China, como a SMIC, Hua Hong Semiconductor, e ChangXin Memory Technologies. E não é só isso; a previsão é de que a produção chegue a cinco unidades em 2026 e cerca de 20 em 2027. Aliás, estas empresas sentam-se na lista negra de um projeto de lei em andamento nos EUA que visa cortar a venda e manutenção de sistemas da ASML.
O Milagre da Imersão: Está Mesmo a Chegar?
Segundo a The Information, o fabricante das novas máquinas não foi nomeado, mas há rumores de que a Shanghai Yuliangsheng Technology, uma startup estatal, está no meio da jogada. A SMIC já anda a testar um equipamento de imersão da Yuliangsheng desde setembro de 2025. A beleza deste sistema? A maioria dos componentes é feita em casa, mas não podemos esquecer que alguns ainda vêm do Japão, porque, claro, tudo o que é crítico ainda depende de terceiros. Delícios, não?
Com os desafios na fabricação devido a atrasos em fornecedores locais, fica evidente que esta produção não é apenas um passeio no parque. Esta nova abordagem deve demorar meses a ser validada para uso nas linhas de produção, e, não nos esqueçamos, as máquinas vão ficar atrás das já famosíssimas ferramentas da ASML em termos de performance e qualidade de construção. Ou seja, muito hype para um produto que ainda está a dar os primeiros passos, enquanto a ASML garante cerca de 98,7% do mercado deste tipo de tecnologia.
A Nau de Óptica e a Cruzada Contra a ASML
Vamos falar um pouco sobre o que está em jogo. A ASML planeia enviar cerca de 130 sistemas de imersão em 2026, um número que se mantém em comparação com 2025. Para não variar, a empresa está a aumentar a capacidade em 30% até 2027. Mas aqui está a questão: a China representa cerca de 20% das vendas líquidas da ASML este ano, uma queda significativa em comparação com os 33% de 2025, principalmente devido à baixa demanda de lógicas mainstream.
Estas máquinas de DUV de imersão são capazes de imprimir recursos de classe 28nm num único processo de exposição e chegam a 7nm através de multipadrão, mas a um grande custo em erros de sobreposição e rendimento. Basicamente, é como usar uma lâmpada de teste numa competição oficial — pode funcionar, mas não se compara ao LED de alta performance que a ASML tem no mercado.
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Conclusão: Fantasia ou Futuro?
Portanto, qual é o veredicto? As novas máquinas de litografia da China poderiam ser um passo para a independência tecnológica, mas, na verdade, representam mais uma tentativa de alcançar o que a ASML já domina com braço de ferro. Essa corrida contra a ASML parece mais uma maratona do que uma corrida a pé: muitos obstáculos e poucos caminhos diretos. A realidade é que, enquanto aguardamos que estas novas máquinas se tornem parte da conversa relevante na indústria de semicondutores, acreditem ou não, pode ser que continuemos a depender da qualidade da ASML por algum tempo.
Em resumo: se estás a pensar em investir nesta nova “maravilha”, recomendo esperar. O dinheiro é melhor gasto nas máquinas que já estão a fazer história, e não nas que ainda estão a aprender a andar.
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