Quando a Intel decide brincar com fogo
A pouco e pouco, a Intel parece estar a soltar as rédeas com um movimento inesperado: **licenciar a sua tecnologia Atom a uma startup chamada RosaicLabs**. Se não achas isso estranhíssimo, é porque andas a dormir na lesma. Em vez de manter o controle absoluto, a Intel, que durante décadas foi a croma que não deixava ninguém entrar no clube, agora decide abrir a porta — talvez porque as receitas não andam a ser lá muito animadoras. A pergunta que fica é: porquê?
A algoz dos chipsets a dar a mão ao adversário?
RosaicLabs, recém-nascida e ainda sem site ou LinkedIn (estou a ver que querem ser os ninjas do mundo dos chips), recebeu **acesso a um núcleo Atom** que a Intel considera adequado para a criação dos seus próprios processadores. O que isso significa? Bem, a Rosaic pode **construir sistemas-on-chip (SoC)** com uma base de x86, uma forma elegante de dizer que estão a meter-se no mesmo jogo que a Intel, mas com um twist.
Imagina que a Intel é o dono de uma casa de apostas. Durante anos, manteve todos os lucros e não deixou que ninguém jogasse do seu lado da mesa. Agora, decide dar fichas a um novato que nem sabe se sabe como jogar. Vá lá, isto soa a uma jogada arriscada, e sinceramente, tenho dúvidas. No mundo dos chips, não dá para ser o artista da cena se estiveres a dar palco a quem quer fazer um grande espetáculo sem a experiência necessária.
Os Atom que são mais do mesmo?
Um dos grandes mistérios é **qual núcleo Atom** foi licenciado. Historicamente, os núcleos Atom da Intel foram apresentados como uma solução de baixo custo e eficiência energética para dispositivos modestos. Desde que a Intel abandonou essa vertente, os x86 têm sido utilizados principalmente em SoCs personalizados para telecomunicações, na construção de CPUs embutidas, e até mesmo em algumas das arquiteturas de data centers mais recentes.
A dúvida é se a RosaicLabs irá criar algo realmente inovador ou se vai apenas encher o mercado com mais do mesmo. O que sabemos é que a Intel tem inovações mais recentes, como os núcleos **Crestmont, Skymont e Darkmont**, que trazem alguns truques na manga em termos de eficiência e desempenho. Se Rosaic tiver acesso a alguma dessa tecnologia, talvez se consiga agitar as coisas. Mas, se a Intel não tem lá muita fé neles (como parece), estaremos apenas a ver uma repetição da história.
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Resumindo: por um investimento que equivale a **9 milhões de euros** de financiamento inicial, ainda é uma incógnita se RosaicLabs conseguirá transformar esta licença em inovação que valha a pena.
Apostas são apostas, mas, neste caso, tenho as minhas dúvidas se vale a pena entrar na sessão de jogo.
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